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segunda-feira, 3 de março de 2014
Exegese de 1 Co 2: apontamentos inacabados -
As epístolas paulinas são produtos de uma ação pastoral e apostólica dentro de um contexto histórico-cultural específico. Ao lermos o capítulo 2 da 1 epístola aos Coríntios, identificamos a principal preocupação paulina:
1) Descrever a natureza, simplicidade e eficácia do querigma, centrado na proclamação da cruz de Cristo (vv.1-5). Nesta primeira seção, Paulo faz um contraste entre a pregação cristocêntrica, centrada na autoridade e poder de Deus, e a sabedoria humana, focada na retórica e filosofia grega, e no misticismo judaico.
a. Neste particular, conforme 1 Co 1.20, o Apóstolo dos Gentios dirige sua invectiva contra o sofo,j (o sábio), o grammateu,j (o escriba), e o suzhthth.j tou/ aivw/noj (o arguidor deste século). Quem são esses três personagens? Paulo, provavelmente, está citando indiretamente o texto de Is 33.18, a respeito da Assíria (Onde está o escrivão? Onde está o pagador? Onde está o que conta as torres?).
b. A.T. Robertson, sugere que o sofo,j é uma referência ao filósofo grego; o grammateu,j ao escriba judeu; e o suzhthth.j, uma palavra rara nas páginas do Novo Testamento, aos contestadores judeus e gregos de Corinto (At 6.9; 9.29; 17.18). Note que os substantivos sofo,j, grammateu,j e suzhthth.j são anartros, isto é, não estão acompanhados de artigo. Logo, são ucrônicos, isto é, atemporais, não se situam em qualquer tempo, mas podem referir-se a qualquer período. Outro aspecto interessante é o fato de que o grego também usa a ausência do artigo para apresentar a indefinição do sujeito. Estes sujeitos, muitos deles pré-gnósticos, consideravam o Evangelho uma forma de filosofia ou sabedoria que poderia ser apreendido através do raciocínio, da razão, da retórica e da própria filosofia (1 Co 1.18). Mas para os judeus em foco, a sabedoria era uma manifestação milagrosa da deidade (1 Co 1.22). Os sábios talmúdicos relacionavam a sabedoria divina à Sh’knah e ao Bat kol. Um acreditava na capacidade cognitiva humana, outro, na manifestação visível da sabedoria.
c. A partir desta explicação é que podemos compreender a segunda preocupação paulina: distinguir a verdadeira sabedoria da falsa (vv.6-16). Esta distinção fora apresentada no capítulo 1, tendo o versículo 17 como intermezzo (entreato): "Cristo enviou-me não para batizar, mas para evangelizar; não em sofi,a lo,gou (sabedoria de palavra), para que o` stauro.j tou/ Cristou/ (a cruz de Cristo) se não faça vã (kenwqh/)" isto é, ser esvaziada, perder o sentido. A palavra da cruz (o` lo,goj tou/ staurou/) "é loucura para os que perecem" (v.18).
d. Nesta seção, o propósito paulino é descrever o Espírito como intérprete dos mistérios de Deus: a) (v.10a) Ele é o meio pelo qual Deus revela sua sabedoria, mistério e propósito; b) (v.10b) Ele é o que perscruta até a profundidade oculta de Deus; c) (v.11b) Ele conhece os pensamentos de Deus; d) (v.12a) Ele procede diretamente de Deus; e) (v.13) Ele ensina a sabedoria de Deus; f) (v.14) Ele é o Espírito de Deus. A razão pela qual os homens não compreendem a revelação da sabedoria divina é a própria vaidade e natureza carnal do homem.
e. Neste aspecto, nos vv.14-16 e 3.1, Paulo descreve três tipos de pessoas o a;nqrwpoj yuciko.j (homem natural – o incrédulo); o a;nqrwpoj pneumatikoj (homem espiritual – o crente); e o a;nqrwpoj sarki,noj (homem carnal – o crente).
Análise Lexicográfica
(1) sofi,aj lo,goij: “sabedoria de palavras”(v.4) - exibição retórica;
(2) sofi,a| a;nqrw,pwn: “sabedoria de homens”(v.5) - discursos filosóficos;
(3) sofi,an tou/ aivw/noj: “sabedoria do mundo”(v.6)– conhecimento humano e mundano
Agora observe a relação entre essas três expressões com os agentes de 1 Co 1.20:
(1) sofi,aj lo,goij : “sabedoria de palavras” com sofo,j, “sábio” – grego
(2) sofi,a| a;nqrw,pwn: “sabedoria de homens” com grammateu,j, “escriba” – judeu
(3) sofi,an tou/ aivw/noj: “sabedoria do mundo” com suzhthth.j tou/ aivw/noj – qualquer um
o` stauro.j tou/ Cristou/ (a cruz de Cristo, 1.27)
o` lo,goj tou/ staurou/ (a palavra da Cruz, 1.28)
“O discurso eloquente pode convencer o homem de uma verdade, mas jamais convertê-lo a ela”.
Segundo Tozer, o cristianismo não apresenta uma nova filosofia, mas uma nova vida.
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